Por que é que os homens têm maior relutância em procurar ajuda terapêutica?
Ao longo da nossa prática clínica, é frequente observarmos que os homens chegam mais tarde ao consultório, muitas vezes já em estados de maior sofrimento ou esgotamento. Esta demora não é, na maioria das vezes, por falta de sofrimento, mas por barreiras específicas que vale a pena refletirmos juntos.
Aqui estão algumas das razões mais comuns que parecem travar os homens na procura de apoio psicológico:
Esta reflexão convida-nos a pensar:
Como podemos tornar os nossos serviços mais acessíveis e apelativos para os homens?
Como podemos comunicar de forma que reduza o estigma e respeite a sua necessidade de autonomia e de resultados práticos?
Que abordagens (terapias breves, focadas em objetivos, com componente psicoeducativa ou comportamental) podem ser mais eficazes no primeiro contacto?
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- A pressão social de serem “inabaláveis”
Desde a infância, muitos homens internalizam a ideia de que a masculinidade se define por força, autossuficiência e resiliência sem falhas. Admitir vulnerabilidade ou sofrimento emocional pode ser sentido como uma ameaça à própria identidade masculina ou ao papel de “pilar” da família e do trabalho. Reconhecer que precisam de ajuda pode parecer, aos seus olhos, uma falha de caráter. - A valorização da autossuficiência
Muitos cresceram com a mensagem de que “um homem resolve os seus problemas sozinho”. Pedir ajuda pode ser vivido como uma perda de controlo ou de autonomia. Esta crença torna difícil aceitar que, tal como em qualquer outra área da vida, a saúde mental beneficia de ferramentas e conhecimentos especializados que nem sempre conseguimos desenvolver isoladamente. - Dificuldade em identificar e nomear emoções
Quando não foram socializados para falar abertamente sobre o que sentem, muitos homens têm dificuldade em reconhecer e articular o seu mal-estar. O sofrimento masculino manifesta-se frequentemente não como tristeza explícita, mas como irritabilidade, raiva, cansaço crónico, isolamento, hiper-foco no trabalho ou comportamentos de evitação. Se não conseguem nomear estes sinais como dificuldades emocionais ou psicológicas, dificilmente procuram a ajuda adequada. - Medo do estigma e do julgamento
O receio de serem vistos como “fracos”, “incapazes” ou menos competentes pelos pares, família ou colegas de trabalho continua a ser uma barreira significativa. Há ainda a preocupação de que um eventual diagnóstico ou ida ao terapeuta possa afetar a percepção da sua capacidade de liderança ou fiabilidade. - Mentalidade prática e ceticismo face à “fala”
Muitos homens têm uma orientação pragmática e orientada para a ação. Podem ver a terapia como algo passivo, “apenas falar”, ou uma perda de tempo, especialmente se associam o processo a ruminação sobre o passado sem resultados concretos. Desconhecem muitas vezes que a terapia contemporânea é orientada para objetivos claros, desenvolvimento de competências e melhoria da funcionalidade no dia a dia.
Esta reflexão convida-nos a pensar:
Como podemos tornar os nossos serviços mais acessíveis e apelativos para os homens?
Como podemos comunicar de forma que reduza o estigma e respeite a sua necessidade de autonomia e de resultados práticos?
Que abordagens (terapias breves, focadas em objetivos, com componente psicoeducativa ou comportamental) podem ser mais eficazes no primeiro contacto?
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