Quando os clientes se focam excessivamente na regressão a vidas passadas como solução do seu problema... O que fazer?
A hipnose regressiva é muitas vezes procurada quase como uma narrativa explicativa mágica. O risco, como disseste bem, é funcionar como distração — ou até como fuga — ao que está ativo e acessível no presente (incluindo padrões familiares, emocionais e comportamentais).
A chave aqui não é confrontar diretamente a crença da pessoa, mas reorientar com respeito. Aqui vão algumas formas práticas de comunicar essa perspetiva:
1. Validar antes de redirecionar
Se a pessoa sente curiosidade ou até crença em vidas passadas, não ganhas nada em invalidar isso frontalmente.
Podes dizer algo como:
“Percebo essa curiosidade — é algo que muitas pessoas sentem e pode ter significado para si.”
Isto cria aliança. Sem isso, qualquer reframe vai gerar resistência.
2. Expandir o modelo (em vez de substituir)
Em vez de opor “vidas passadas” vs “influência genealógica”, apresenta a tua abordagem como mais abrangente e mais útil na prática.
Por exemplo:
“Na minha experiência, independentemente de acreditarmos em vidas passadas ou não, muitos dos padrões que sentimos hoje têm raízes muito concretas — na nossa história familiar, nas experiências precoces e até em padrões que herdamos emocionalmente.”
Assim não negas — mas trazes para algo verificável e trabalhável.
3. Trazer o foco para utilidade terapêutica
Este ponto é essencial: deslocar da curiosidade para a mudança.
“A minha prioridade aqui é ajudá-lo(a) a resolver o que está a sentir agora. E para isso, trabalhamos com aquilo que tem impacto direto na sua vida — aquilo que o seu sistema já está a mostrar.”
Isto subtilmente comunica:
👉 Não estamos aqui para “histórias interessantes”, mas para transformação.
4. Usar a própria linguagem da pessoa
Se alguém insiste em vidas passadas, podes fazer um “reframe funcional”:
“Mesmo que olhássemos para isso como uma ‘vida passada’, muitas vezes o que aparece simbolicamente corresponde a emoções, padrões ou dinâmicas que também encontramos na sua história pessoal ou familiar.”
Isto permite:
- Não entrar em confronto
- Trazer tudo de volta ao campo terapêutico útil
5. Introduzir a dimensão transgeracional (com impacto)
Aqui tens uma grande vantagem diferenciadora.
Podes dizer algo como:
“Hoje sabemos que muitos padrões — ansiedade, medos, bloqueios — podem atravessar gerações. Às vezes estamos a carregar coisas que nem começaram connosco.”
Isto costuma ter um efeito forte porque:
- Dá sentido ao sofrimento
- Mantém uma dimensão “profunda” (que a pessoa procura)
- Mas é mais concreta e trabalhável do que vidas passadas
6. Estabelecer limites claros (sem rigidez)
Se alguém estiver muito focado nisso:
“Podemos explorar isso dentro da sessão, mas sempre com o objetivo de perceber o que isso revela sobre si hoje — porque é aí que conseguimos realmente criar mudança.”
Assim:
✔ Não negas
✔ Não prometes algo que não é o teu foco
✔ Manténs direção terapêutica
7. Diferenciação profissional (importante para ti)
Com o tempo, podes até assumir isso como parte da tua identidade:
“O meu trabalho não é tanto focado em explorar vidas passadas, mas sim em identificar e libertar padrões profundos — muitos deles com origem na história familiar e emocional.”
Isso atrai as pessoas certas — e filtra as que procuram apenas curiosidade.
Em resumo
O teu objetivo não é “convencer” — é reposicionar a expectativa:
- De “quero saber quem fui”
👉 para - “quero libertar o que me está a afetar agora”
E fazes isso com:
- validação
- linguagem inclusiva
- foco na utilidade
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