Burnout na Prática Clínica: Orientações Pedagógicas para Terapeutas
(Baseado na supervisão Hypnos de agosto 2026 – Mário Rui Santos)
1. Clarificar o conceitoO burnout não se limita ao contexto profissional. Embora a literatura clássica o associe ao trabalho, o conceito alargou-se: burnout parental, familiar, pessoal ou existencial.
As pessoas chegam frequentemente com narrativas do tipo “tive um burnout”, “estive em pré-burnout” ou “fui diagnosticada com síndrome de burnout”.
É importante distinguir burnout de depressão e ansiedade. Existe sobreposição e comorbilidade frequente, mas são entidades distintas. O burnout é excessivamente medicalizado quando é tratado apenas com ansiolíticos ou antidepressivos, sem se trabalhar a sua origem e os padrões de funcionamento que o sustentam.2. Como se desenvolveO processo típico segue uma sequência:
Intervenção prioritária: ajudar a reformular o burnout como mecanismo de proteção (os disjuntores saltaram para evitar que a instalação elétrica ardesse por completo).
Promover gratidão ao corpo e ao sistema em vez de autocrítica. A autocrítica pós-burnout alimenta depressão e autocomiseração.
Técnicas úteis logo na primeira sessão:
Abordagem recomendada:
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www.Hipnoterapia.pro
As pessoas chegam frequentemente com narrativas do tipo “tive um burnout”, “estive em pré-burnout” ou “fui diagnosticada com síndrome de burnout”.
É importante distinguir burnout de depressão e ansiedade. Existe sobreposição e comorbilidade frequente, mas são entidades distintas. O burnout é excessivamente medicalizado quando é tratado apenas com ansiolíticos ou antidepressivos, sem se trabalhar a sua origem e os padrões de funcionamento que o sustentam.2. Como se desenvolveO processo típico segue uma sequência:
- Fase prolongada de stress psicológico e sofrimento emocional que a pessoa tenta gerir.
- Ritmo acelerado e exigente mantido durante longo tempo.
- Sinais corporais e emocionais ignorados.
- Exaustão física e psicológica (“o corpo desliga”).
- Dificuldade em dizer “não” e em estabelecer limites
- Baixa assertividade
- Tendência a people-pleasing (necessidade de agradar)
- Perfeccionismo e intolerância ao erro/fracasso
- Hiper-responsabilidade (mais frequente em mulheres – “canivete suíço”)
- Dificuldade em lidar com o fracasso e autocrítica elevada (mais frequente em homens)
Intervenção prioritária: ajudar a reformular o burnout como mecanismo de proteção (os disjuntores saltaram para evitar que a instalação elétrica ardesse por completo).
Promover gratidão ao corpo e ao sistema em vez de autocrítica. A autocrítica pós-burnout alimenta depressão e autocomiseração.
Técnicas úteis logo na primeira sessão:
- Hipnose ou psicodrama breve em que a pessoa pede desculpa a si mesma pela autocrítica.
- Trabalho de reorientação da atitude: “O teu sistema protegeu-te”.
Abordagem recomendada:
- Terapia das partes: “O que é que esta parte cansada de ti está a tentar dizer-te?”
- Atualização da identidade: “Não és Superman/Superwoman. És humano e tens limites.”
- Avaliar o perfil predisponente
Perfeccionismo? Dificuldade em dizer não? Necessidade de agradar? Evitamento de confrontos? Autoestima frágil? - Não basta desacelerar
O descanso é necessário, mas insuficiente. É preciso trabalhar os padrões que levaram à aceleração crónica (metáfora do cavalo de corrida que continua a ser chicoteado depois de ter ganhado). - Hierarquia de intervenção
- Primeiro: reformular o burnout como proteção e reduzir a autocrítica.
- Depois: trabalhar limites, assertividade e perfeccionismo.
- Quando existirem pontes emocionais com o passado: trabalho com a criança interior e reinterpretação das experiências adversas.
- Diferenças de género a considerar
- Mulheres: hiper-responsabilidade e múltiplas frentes.
- Homens: perfeccionismo, irritabilidade como expressão de sofrimento e maior atraso em pedir ajuda (por associação do sofrimento a “fraqueza”).
- Evitar a medicalização isolada
Medicamentos podem ser úteis em fases agudas, mas não resolvem os padrões de funcionamento. O trabalho psicoterapêutico (incluindo hipnose e terapia das partes) é central para prevenir recidivas.
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